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Será que o "não" de Montenegro é o "não" da AD?

  • Ricardo Duarte
  • Mar 15, 2024
  • 3 min read

Updated: Mar 28, 2024

Montenegro reitera que "não é não", mas será também esta a resposta da AD como um todo?


Em janeiro, o PSD coligou-se ao CDS e foi restabelecida a Aliança Democrática. Apesar da coligação à direita, Luís Montenegro, presidente do PSD, encabeçou um caminho de centralização do seu partido. No último domingo, a AD, em conjunto com a IL, não foi capaz de alcançar uma maioria de direita sem o Chega, voltando-se a colocar questões sobre um possível entendimento entre os dois partidos.


Luís Montenegro disse mais do que uma vez que "não é não", mas vozes de senadores do seu partido, entre elas a de Pedro Passos Coelho, fizeram-se ouvir, argumentando que não se deveria desconsiderar um entendimento com o Chega. Estas opiniões surgem no contexto da história de um partido e, principalmente, de uma coligação, que não indica necessariamente a impossibilidade de um acordo com o partido de André Ventura.

Depois do 25 de Abril de 1974, a expressão ‘fascismo nunca mais’ tornou-se uma parte emblemática do vocabulário político nacional e os políticos associados ao Estado Novo foram na sua maioria afastados do poder. Algumas personalidades políticas, no entanto, mantiveram-se ativas, apesar de quase sempre fora da atenção pública. Entre estas destaca-se Diogo Pacheco de Amorim, uma das principais figuras do partido Chega, que fez parte do MDLP, movimento paramilitar liderado por Spínola, na década de 70, e do MIRN, partido neo-salazarista, na década de 80, e que acima de tudo foi militante do CDS durante a maior parte da sua vida. Para além de se organizar esporadicamente em pequenos partidos, a extrema-direita portuguesa refugiou-se principalmente nas fileiras do CDS. Também Pedro Pinto e António Tânger Corrêa foram militantes do CDS, este último chegando a ser adjunto de Diogo Freitas do Amaral quando este foi Ministro dos Negócios Estrangeiros no primeiro governo da Aliança Democrática.


Para além de voltar a querer coligar-se com o CDS, partido historicamente ligado à extrema-direita e que não elegeu nenhum deputado ao Parlamento nas últimas eleições legislativas, o PSD de Luís Montenegro decidiu incluir também nesta nova AD, o PPM, que desde a saída de Gonçalo Ribeiro Telles, líder histórico do partido e admirado opositor ao Estado Novo, em 1993 se virou claramente para a direita. O PPM acabou mesmo por se coligar com o Chega para as eleições europeias de 2019. O atual presidente do PPM (que acabou por não ser eleito deputado), em entrevista à Antena 1, defendeu um entendimento com o Chega dois dias depois da ida a votos.


Desde 1979, quando foi formada a primeira Aliança Democrática, que o PSD aceita a presença da extrema-direita nos seus governos. Não é nenhuma surpresa ser Pedro Passos Coelho a apelar a um acordo com o Chega, tendo ele próprio governado em coligação com o CDS de 2011 a 2015. Vale a pena relembrar também o ano de 2017, quando André Ventura era candidato pelo PSD nas autárquicas em Loures, em que Passos Coelho (ao contrário do CDS) nunca deixou de apoiar a sua candidatura, mesmo depois de uma série de comentários radicais. André Ventura militou 17 anos no PSD, tal como muitos outros líderes do seu partido.


Os veteranos do partido de André Ventura, que foi fundado apenas em 2019, fizeram as carreiras como militantes do CDS e do PSD. Percebe-se, tendo em conta a sua história, que a Aliança Democrática se divida entre voltar a convidar a extrema-direita para o centro de decisão política e honrar as repetidas palavras do seu atual líder: "não é não". Será que a ala passista do partido deixará passar uma oportunidade para governar 4 anos, ou sairá Luís Montenegro vitorioso desta disputa interna?

 
 
 

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