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Juror #2 (2024)


Mesmo com 94 (!) anos, nada impede Clint Eastwood de continuar a realizar grandes obras. 
O filme Juror #2 apresenta uma narrativa simples e eficaz, e no seu núcleo um verdadeiro dilema moral.

O protagonista, representado por Nicholas Hoult, encontra-se perante uma situação que jamais esperaria, numa altura transformadora da sua vida – deixando-o transtornado e num estado de choque total. Hoult interpreta a sua personagem primorosamente, tal como o implacável JK Simmons, Cedric Yarbrough e os restantes jurados que contribuem para momentos muito fortes do filme.
À semelhança do filme Twelve Angry Men, a obra coloca também um peso particular no sistema judicial americano, fundamento da democracia mais importante do mundo.

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Luís van Zeller 22.03.2024

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Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004)

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“How happy is the blameless vestal’s lot! 

The world forgetting, by the world forgot

Eternal sunshine of the spotless mind!

Each pray’r accepted, and each wish resign’d.”

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~ Alexander Pope

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Luís Rau Silva 27.02.2025

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Bob Dylan – Pat Garrett and Billy the Kid (1973)

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Embora dos maiores músicos de sempre, o estilo de Dylan não é necessariamente atraente para todos. Em cima disto, por ter uma enorme discografia, é preciso uma certa paciência e curiosidade para poder encontrar os álbuns e as músicas apropriadas.

O álbum Pat Garrett and Billy the Kid serviu de banda sonora para o western de Sam Peckinpah com o mesmo título, no qual o próprio Bob Dylan também atua. É fácil, curto e uma boa parte é simples instrumental – mas, simultaneamente, contém uma das suas obras-primas, “Knockin’ On Heaven’s Door”, lá para o meio. Pode ser dificilmente equiparável a outros álbuns do artista, mas não deixa de oferecer uma útil amostra da sua grandeza.

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Luís van Zeller 31.01.2025

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Black Sabbath - Paranoid (1970)

 

O segundo álbum da banda britânica Black Sabbath é por muitos considerado o nascimento do heavy metal. Ozzy Osbourne (vocalista), Tony Iommi (guitarrista), Geezer Butler (baixista) e Bill Ward (baterista) nasceram e cresceram no ambiente cinzento da cidade de Birmingham bombardeada e industrializada no período pós-Segunda Guerra Mundial. Este contexto alimentou as temáticas muito direta e destemidamente exploradas no álbum, viradas para a sociedade contemporânea: o ataque à classe política que do seu pedestal "tratava as pessoas como peças de xadrez" (“treating people just like chess pawns”), a Guerra Fria, a paranoia e o abuso de drogas.

Sem dúvida que vale sempre a pena ouvir todas as oito músicas, que contam com riffs daqueles que ficam o dia inteiro na cabeça, solos extasiantes, como em “War Pigs” ou “Iron Man”, mas também melodias suaves como a de “Planet Caravan”.

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Luís Rau Silva 27.10.2024

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Martyn Rady - Os Habsburgos (2020)

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No seu cerne estava a herança Romana de um Império, renovada pelos Imperadores Staufens, de quem os primeiros imperadores Habsburgos imaginaram ser Herdeiros. O Sacro Império Romano-Germânico encarnava precisamente esta ideia, daí a ambição desta família em ocupar o seu cargo supremo.

Ao longo da sua trajetória, os impulsos da Dinastia, o serviço à Fé Católica e a liderança contra a heresia e os turcos foram os mais recorrentes. Porém, estes também representavam a grande eloquência do barroco internacional: levando o esclarecimento aos súbditos, fortalecendo o Estado, salvando a Europa da Revolução, fomentando um estilo arquitetónico como idioma universal e realizando uma missão civilizadora para além das suas fronteiras- personificando Deus através do incognoscível Rei Filipe IV, O Rei Sol, representando a ordem cosmológica de como a sociedade se devia orientar. O segredo foi apenas a sobrevivência através de casamentos e descendências - "A Áustria feliz casou-se, enquanto os outros padeceram” - “Quem fala em vitórias quando tudo o que importa é sobreviver?”.

A Biblioteca Imperial, espelha precisamente o seu legado através de uma inscrição nas suas paredes; AEIOU - divisa pessoal de Frederico III - “Cabe à Áustria Governar o Universo” - afinal a ascensão desta potência inicia-se com o Arquiducado da Áustria, conseguido com o fim da Dinastia dos Babenbergs, dos quais também sonharam ser descendentes. Para os Habsburgos tudo foi sobre perpetuarem-se,  fundindo-se com as grandes famílias, tornando-se os únicos soberanos legítimos de tudo, de um Império onde o “Sol Nunca se Punha”.

O seu legado sobrevive não apenas na arquitetura e na acumulação de património, mas também numa visão que combinou poder, destino e conhecimento e misturou os reinos celeste e terrestre num empreendimento universal que tocou todos os aspetos da experiência temporal e espiritual da humanidade.

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Diogo Gil de Almeida 20.10.2024

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Miguel Sousa Tavares - Um Nómada no Oásis (1994)

 

Uma compilação de artigos de Miguel Sousa Tavares escritos e publicados durante os anos 90, entre 1990 e 1993, maioritariamente no Semanário e no Público.

Goste-se ou não do estilo do autor, é muito interessante perceber o que se dizia e criticava naquele tempo. O que se escrevia naqueles dias sobre aqueles dias, e não em retrospetiva, como estamos habituados. Ganha-se uma noção clara de qual era a agenda política e social daquele tempo. E caso se goste particularmente de ler MST, melhor ainda.

É interessante perceber que a crítica dos “agarrados ao poder”, e dos sinais de desgaste e cansaço de um só partido durante muito tempo no poder, é muito parecida com a que víamos até há uns meses, mas com um protagonista diferente, em vez de António Costa, era Cavaco Silva.

É também muito curioso ler sobre o 25 de Abril quando este tinha acontecido há menos de 20 anos e era ainda novidade, contrasta muito com as perspetivas de hoje, em que é dado como adquirido.

A questão de Timor é um dos temas mais registados nestes artigos. É surpreendente perceber que Portugal desempenhava um papel fundamental num assunto internacional de grande relevância.

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Duarte Amorim 17.10.2024

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Ganso - Vice Versa (2024)

 

Passados dois anos, os Ganso finalmente lançaram o seu novo projeto, Vice Versa. Gravado nos arredores de Paris, o álbum traz-nos uma melodia de cadência suave e quase romântica, resultante de uma sinfonia que confesso ainda não ter conseguido decifrar. A estreia de Horse, colosso de Alvalade, baterista de elite, deu de facto um groove novo a todo este beat. De “trocar cromos em 66” a “Beyblades”, a fonética das palavras de João Sala surpreendeu. É um “no-skip album” que certamente ficará no hipocampo do tão mal-amado indie-rock português.

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Salvador Martins da Silva 15.10.2024

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NAPA – Senso Comum (2019)

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É de uma cave na ilha da Madeira que nascem os NAPA. Embora da mesma laia que outras bandas portuguesas contemporâneas (Cassete Pirata, Capitão Fausto), apresentam uma personalidade e transmitem emoções como mais ninguém – particularmente ao vivo.

Faz hoje 5 anos que se estreou o primeiro álbum, Senso Comum, e desde março que têm percorrido o país, de Porto Santo a Arcos de Valdevez, para celebrar. Ao longo do disco, a banda articula criativamente mensagens e recados, como a denúncia à superficialidade das redes sociais e da internet. Tem 11 músicas e introduz melodias e letras alegres, melancólicas e provocadoras.

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Luís van Zeller 11.10.2024​

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Neil Young - After the Gold Rush (1970)

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No mesmo ano em que foi lançado o álbum de estreia do supergrupo do qual fazia parte (Deja Vu, dos Crosby, Stills, Nash and Young), Neil Young decide apresentar ao público o seu terceiro disco a solo. Não só faz parte do conjunto dos seus álbuns imprescindíveis, é possivelmente o seu maior triunfo musical. Desde o folk melancólico em “After the Gold Rush”, “Only Love Can Break Your Heart” ou “Oh Lonesome Me”, até ao rock entusiasmante de “When You Dance I Can Really Love You”, está, de início ao fim, repleto de alguns dos melhores momentos da música rock da década de 70, sempre caracterizados pela idiossincrática voz do canadiano e por uma excelência lírica apenas rivalizada por cantautores como Bob Dylan ou Leonard Cohen.

Uma obra digna do sufixo hifenizado “-prima”, receio que caia no esquecimento da densa história da música. Este texto é, neste sentido, um esforço para evitar que isso aconteça.

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João Amaral 11.10.2024

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The Rolling Stones – Sticky Fingers (1971)

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Sem dúvida pertencente ao grupo de álbuns essenciais dos Rolling Stones. Foi o primeiro álbum de estúdio gravado sem o Brian Jones, famoso guitarrista e cofundador da banda, que morreu em 1969.

É maioritariamente uma obra de rock clássico, mas inclui também músicas do género blues e folk, mantendo sempre uma ligação às origens da banda. Encontram-se êxitos clássicos como “Brown Sugar” e “Wild Horses”, mas também “Sister Morphine” e “Dead Flowers”, elementos igualmente influentes com letras e instrumentais muito característicos dos Rolling Stones, e, portanto, daquela época.

Há ainda o pormenor de a capa ter sido concebida pelo ilustre Andy Warhol.

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Luís van Zeller 28.07.2024

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Portishead - Dummy (1994)


Trip-hop: um estilo escondido, enigmático, mais “discreto”. A principal fusão que lhe dá origem é a de hip-hop com música eletrónica, mas incorpora também elementos de cool jazz, soul e funk, rock progressivo, entre outros. Surge no final da década de 80 no Reino Unido e começa a fazer sucesso a nível comercial ao longo dos anos 90, emergindo grupos como os Massive Attack (que ainda este ano atua em Portugal) e Portishead.

Talvez o álbum que mais personifica o trip-hop é Dummy, lançado em 1994. A serena, mas potente, voz de Beth Gibbons acompanhada por um instrumental impecável cria um ambiente melancólico e profundo, compondo um álbum fundamental de se ouvir.

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Luís van Zeller 17.07.2024

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Ganso - Não Tarda (2019)

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“Não há uma maneira definida que nos salte à vista, mas existe uma temática comum entre todas as musicas do álbum: a vida noturna na cidade, a ânsia vivida no dia a dia e as saídas com amigos.” 
Lançado em 2019, é o segundo disco (e o último, até ao momento) deste grupo. 8 canções em apenas 28 minutos. É a leveza e a unidade das músicas e o tom amigo e familiar das letras que faz com que Não Tarda não seja apenas um bom disco de se ouvir, mas também uma companhia amiga.

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Leonor Nogueira Pinto 26.06.2024

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Into the Wild (2007)

 

Inspirado numa história verídica, Sean Penn traz ao cinema o livro de Jon Krakauer. Após terminar a Universidade, Christopher McCandless de 22 anos abandona a sua família, sociedade e vida privilegiada à procura de se libertar dos bens materiais para se ligar da forma mais despojada possível à natureza e a si próprio. Com o objetivo de chegar ao Alasca, Christopher mergulha assim no lado selvagem. Talvez mais do que ele próprio quereria. É um daqueles filmes que altera a maneira como olhamos para o mundo, a nossa vida e a importância que os outros têm nela. Tudo isto acompanhado por uma excelente banda sonora composta por Eddie Vedder.

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Vicente Melo 06.06.2024

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Beck - Morning Phase (2014)

 

É um dos poucos álbuns recentes em que, do início ao fim, não sentimos necessidade de passar à frente qualquer música. Perdido na sua vasta discografia, mantém as raízes da música folk que sempre o acompanharam, criando um ambiente de harmonia à volta do disco capaz de ser ouvido em qualquer situação. O álbum destaca-se maioritariamente pela sua elegância instrumental e as suas letras e melodias melancólicas. Assim, embora não traga propriamente nada de “novo” ao mundo da música, Morning Phase é, sem dúvida, um dos álbuns mais bonitos já feitos.

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Vicente Melo 06.06.2024

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Donnie Brasco (1997)

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Poucas são as duplas tão imponentes como Al Pacino e Johnny Depp no cenário cinzento dos Estados Unidos nos anos 70. Estimulante e intenso até ao fim, o filme pega na história verídica do agente secreto Joe Pistone que se infiltra na mafia de Nova Iorque numa operação que põe as suas capacidades verdadeiramente à prova. Vemos a sua personagem a entrar em diferentes conflitos, pondo em causa as suas relações com os que o rodeiam, não só dentro da mafia como com a sua mulher, desenhando uma linha muito fina entre as suas duas vidas.

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Luís van Zeller 16.05.2024

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Cage The Elephant - Melophobia (2013)

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Melophobia: fobia de música. Lançado em 2013, veio aumentar o sucesso da banda norte-americana, com êxitos mais conhecidos como "Cigarrette Daydreams" e "Come A Little Closer", mas também com outros que de modo nenhum ficam aquém em termos musicais. O álbum não teve como inspiração um medo de música, mas sim um medo de que a música criada servisse para qualquer outro motivo, fútil ou estético, que não ser como uma ponte honesta de comunicação entre os artistas e os ouvintes.

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Luís Rau Silva 16.05.2024

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