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Pedro Nuno "Santo"

  • Duarte Amorim
  • Nov 24, 2023
  • 2 min read

Updated: Jan 12, 2024

O passado dia 13 de Novembro foi um dia em grande para o neto do sapateiro. Sala cheia no Largo do Rato e mais tarde, na estação onde teve a carreira mais curta de comentador de que há memória, senta-se com Rodrigo Guedes de Carvalho.


Confesso que, mesmo sendo uma figura já conhecida, a postura com que Pedro Nuno Santos encarou esta nova etapa deixou-me manifestamente surpreso. Fala do Partido Socialista, sua segunda casa, e, particularmente, de si mesmo como se de redentores se tratassem. Mas a verdade é que, num momento em que o PS volta a bater no fundo, com mais um pântano político, lá estava uma enchente na sede nacional a louvar um ex-ministro do atual governo, protagonista deste pântano.


Convém que os portugueses se lembrem como é que Pedro Nuno se tornou ex-ministro: apresentou a sua demissão há pouco menos de um ano, depois de se tornar pública a indemnização ilegal de meio milhão de euros recebida por Alexandra Reis, por ter saído antecipadamente da TAP. É verdade que este valor não se compara aos 3.2 mil milhões por ele injetados nesta companhia, mas mudava a vida a muitos portugueses. O legado que deixa passa também por, hoje, nem a indemnização que deixou direta ou indiretamente passar, conseguir comprar uma casa em Lisboa.


E perante todas estas lamentáveis evidências, Pedro Nuno fala ao país com toda a tranquilidade, dizendo apenas que os erros são humanos e que só não acontecem a quem fica na retaguarda. Não podia estar mais de acordo, sou aliás severamente contra as mortes políticas antecipadas. Mas pedia-se a um futuro candidato a primeiro-ministro que não se ficasse pelo “aprender com os erros” e dissesse muito concretamente porque e onde é que errou e como é que planeia não voltar a falhar.


Ora, parece que Pedro Nuno prefere focar-se no ataque intransigente e inabalável à Direita, seja ela qual for. Faz uma acusação que me parece extremamente grave e perigosa em democracia: acusa o PSD de se estar a preparar para se coligar com o Chega. Esta afirmação é democraticamente perigosa pois acusa o PSD e o seu líder, em particular, de estarem a mentir aos portugueses, uma vez que já disseram claramente que essa não é uma hipótese. E daqui vão ter de se tirar consequências: Ou o PSD cumpre o que diz e Pedro Nuno passa a mentiroso ou o PSD não cumpre e Luís Montenegro perde toda a credibilidade.


Na Sic, questionado pelo jornalista se não está a “importantizar” em demasia o Chega, Pedro Nuno abandona essa sua “muleta” eleitoral e remata que um eventual acordo PSD-IL já é suficientemente radical. Eu pergunto então como devemos nomear o Bloco e o PC (dos quais Pedro Nuno foi a ponte na solução geringonça) e o Chega, evidentemente.

 
 
 

2 Comments


Unknown member
Nov 24, 2023

Grande artigo, continuação!

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Guest
Nov 24, 2023

Muitos parabéns! Artigo fantástico e bela iniciativa.

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