O Voto Certo: Aliança Democrática
- Duarte Amorim
- Mar 5, 2024
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Mais do que discutir ideias e soluções, para aqueles que ainda não decidiram onde votar, parece-me importante fazer um trabalho de exclusão por partes. Vou, por isso, abster-me de discutir propostas concretas dos diferentes partidos (sem qulquer desconsideração pelas mesmas- são elemento central do processo de decisão).
A chegar aos 50 anos de democracia, estas eleições têm uma particularidade que este meio século ainda não tinha conhecido. A disputa é feita por três setores e não dois, são estes: As esquerdas (lideradas pelo PS), a direita democrática (comandada pela AD) e o Chega (solitário e com quem ninguém quer conversar).
O voto à esquerda é um voto na continuidade, como se percebe pelas listas do Partido Socialista (dezenas de ministros e secretários de estado dos sucessivos governos de António Costa no topo das listas). E, assumindo que quem não decidiu o que votar é porque está descontente com a governação da última década, não pode, de maneira alguma, votar nos mesmos, pois os resultados serão também os mesmos.
Querendo uma mudança, restam dois blocos, ou se dá o voto à direita democrática (AD ou IL) ou se dá o voto ao Chega. Sabendo que uma coisa é absolutamente certa: O Chega só governa se eleger 116 deputados, porque ninguém se senta à mesa com eles. Sendo esta hipótese totalmente alienada da realidade, o voto no Chega serve, nada mais nada menos, para dar força às esquerdas. Cada voto no Chega é diminuir a probabilidade de haver um governo de direita, serve apenas para mostrar descontentamento, mas não muda nada.
Posto isto, a mudança real e possível reside na direita democrática. Mas na IL ou na AD? Há duas razões práticas para confiar mais na AD do que na IL. A primeira é que a AD, e o PSD sozinho, têm provas dadas ao longo dos anos de capacidade governativa e de resposta a crises causadas por outros. E a segunda é que o sistema eleitoral, tal como está feito, pode trair os votantes liberais, não se traduzindo em deputados eleitos. Enquanto que o voto na AD não é garantidamente desperdiçado.
E, em qualquer caso, para haver mudança, a AD tem que ter a maior força possível. Falo do caso de não haver maioria absoluta AD-IL: Que se desenganem os enganados pelo golpe da geringonça; é possível governar com maioria relativa, já se fez e pode voltar a fazer-se. E quem não deixar a AD governar com maioria relativa é porque põe o poder acima do país.



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