O Tsunami "Populista" na Europa: Holanda
- Tomás Leitão dos Santos
- Nov 27, 2023
- 4 min read
Updated: Jan 12, 2024
Na passada quarta-feira, dia 22 de Novembro, a Holanda teve um resultado eleitoral histórico, onde, pela primeira vez, garantiu o primeiro lugar ao partido “populista” de direita (PVV). O PVV foi fundado em 2006 e a sua presença no parlamento tem sido silenciosa, nunca tendo elegido mais que 24 deputados (2010), tendo este número sido alcançado na ressaca da crise de 2008. Durante os últimos 13 anos, o PVV esteve sempre na oposição, elegendo entre 15 e 20 deputados, de um total de 150 e, pela primeira vez na sua história, foi o partido mais votado, elegendo 37 deputados.
No passado recente, a Holanda e o eleitorado holandês tinham prioridades políticas semelhantes às de Portugal, sendo os temas mais importantes a política fiscal, as críticas à burocracia, entre outros temas de caráter não urgente. Mas foi a partir do início de 2020 que a opinião publica e a polarização começaram a ganhar importância. A desconfiança nos partidos e no sistema político disparou para os 62%, a popularidade dos partidos centristas/bloco central foi gravemente posta em causa e os temas prioritários tornaram-se as políticas climáticas, fomentando o ceticismo europeu, a inflação, novamente um catalisador de ideias antieuropeístas, baseado nas críticas ao BCE, e, por fim, o tema mais popular que definiu o tom do discurso político nos últimos anos: a imigração.
Todos estes temas têm vindo a polarizar a sociedade holandesa, no entanto, surge um tema que tem especial tração; a política climática e a ecologia interventiva do governo holandês, promovida pela União Europeia.
Nos últimos 10 anos tem se vindo a formar no país uma classe de ativistas, composta principalmente por estudantes e jovens, com o objetivo de promover a agenda progressiva na Holanda. O progressismo e o globalismo ganharam popularidade nas camadas mais jovens e foram enraizados, com sucesso, no sistema de ensino holandês, especialmente nas universidades. E daí surgiu a normalização da ideia de que a atividade humana é um ataque ao planeta, devendo ser restringida ao máximo. Só após a normalização deste pacote de ideias foi possível o surgimento de políticas como, por exemplo, a limitação da utilização de fertilizantes de nitrogénio na agricultura e a expansão das taxas de carbono.
Sendo a Holanda dos maiores produtores de alimentos da Europa, estas medidas atuam como barreiras à prosperidade do país, sendo tudo isto em nome de uma teoria globalista que visa o fim da liberdade de circulação, dos direitos de propriedade e do aumento da qualidade de vida. Para estes “objetivos” climáticos serem alcançados, será necessária austeridade em nome do clima, na forma de taxas de carbono, redução ou abolição do consumo de carne e aumento de preços da alimentação que poderão levar ao racionamento de comida e à escassez de recursos. E é exatamente isto que os holandeses temem, porque, no momento em que o próprio sistema, com o apoio da União Europeia, age diretamente contra os interesses dos holandeses, em nome de uma agenda elitista, desconectada das reais necessidades da população, toda a noção de "esquerda e direita” desaparece, surgindo um novo paradigma de “patriotismo e populismo” vs. globalismo.
Tanto com governos de esquerda como de direita, estas políticas predatórias são postas na prática com sucesso, o que mostra e transmite o sinal de que o país não é independente e não se encontra em controlo do seu próprio destino. E esta realidade é tangível na questão da imigração, onde os antigos governos holandeses permitiram imigração em massa, em nome da "compaixão e diversidade", à custa do tecido social, segurança, identidade e união do país. As altas taxas de imigração não só levaram a um aumento do crime violento, como também à diluição da cultura holandesa e ao aumento da polarização interna. Esta realidade reflete-se constantemente nas sondagens e refletiu-se na semana passada em força. A imigração em massa nunca promoveu o bem-estar dos holandeses, e é quando as massas chegam a esta conclusão, que o voto patriota e “populista” ganha força.
Como mencionei anteriormente, esta eleição não se resumiu a "direita vs esquerda", mas sim à independência de interesses internacionais que entram em conflito com o interesse nacional. Foi uma eleição entre um bloco central comprometido e europeísta e um partido mais em sintonia com as preocupações da população, nomeadamente a soberania nacional, a imigração e a libertação da tirania ecológica. Falo disto, pois enquanto o PVV fala das consequências da imigração em massa, da irresponsabilidade do BCE e da importância da agricultura, as Universidades, a imprensa e o bloco central falam de diversidade, conceitos abstratos de igualdade e racismo.
A grande vitória do progressismo foi convencer a população a votar e a apoiar políticas que vão diretamente contra os seus interesses e que promovem os interesses de instituições globalistas e megacorporações. Isto para dizer que as prioridades do mundo moderno não partem das pessoas, nem são definidas por elas, mas sim por elites que não possuem valores conservadores, que rejeitam qualquer forma de patriotismo e que têm interesses próprios opostos aos da nação.
Esta eleição é de grande relevância para Portugal, pois ilustra o potencial rumo da direita e oferece um manual de instruções, o qual deveria ser estudado pela direita portuguesa. A tendência é de fortalecimento, nacionalismo e “populismo”. É olhando para exemplos como os EUA, Itália, França e Espanha, que vemos a criação desta ala “antissistema”. No entanto, o fortalecimento da direita só acontecerá em momentos de urgência, e é a urgência que leva à mobilização. Temas como a política fiscal e a corrupção tornam a política um hobby em vez de uma batalha. É apenas através da sensação de ameaça que a “garra” da direita será revitalizada.
Para concluir, o resultado da eleição na holanda serviu para sublinhar o descontentamento da população com o modelo globalista e as suas consequências. Não apenas a eleição na holanda, mas a explosão em popularidade da direita conservadora no ocidente, leva-nos à conclusão de que a tendência é de que o “centro” diminua e que os “extremos” cresçam. A consciência ideológica da direita está a regressar.



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