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Não ao Chega, Sim a Portugal!

  • João Vilhena Baptista
  • Dec 7, 2023
  • 4 min read

Updated: Jan 12, 2024

André Ventura, fundador e presidente do partido Chega, apresenta uma capacidade intelectual e política fora de série. No que toca a criticar o governo ou quem lhe der jeito, tiro-lhe o chapéu. Para além disto, abstém-se de tudo o que esteja relacionado com soluções e substância no seu discurso.


As recentes sondagens indicam um crescimento exponencial do partido. Tudo aponta para que o Chega passe para lá dos 40 deputados. Afinal de contas, que partido é este que não pára de crescer?


Falo de um partido que se diz anti-socialista e que apresenta um projeto económico baseado no liberalismo de mercado. Apesar disso, tem uma opinião dúbia quanto à privatização da TAP. O seu programa eleitoral de 2022 dá início a todos os tópicos com a expressão “Contra os socialismos”, no entanto, pergunto-me se não simpatizará com essa ideologia.


Continuando, falo de um partido, que, segundo André Ventura, no XVI Conselho Nacional, apresenta uma matriz cristã. Simultaneamente, pretende impor a castração química a certos condenados. Parece-me importante notar que existe consenso na Igreja Católica quanto à ilicitude desta medida.


O Chega apresentou o programa para as legislativas de 2022 com o propósito de explicar “o que vamos fazer”. É percetível uma preocupação última com a reforma da justiça, com o combate à corrupção, com a valorização da família, com o controlo da imigração e com o crescimento económico. À primeira vista não parece mal, o problema é que o programa não responde à pergunta: “Como vamos fazer?”. Verdade seja dita, defende a criação de um ministério de família e promete tornar o Estado “uma pessoa de bem”, seja o que for que isso signifique.


Vejamos, apesar das contradições que apresentei e da aparente falta de soluções no programa, o Chega tornou-se um partido extremamente relevante na vida política portuguesa, que, segundo André Ventura, em Março, vai concorrer para ganhar.


Mas porquê?


As pessoas estão extremamente zangadas. Penso nos professores, na polícia, nos bombeiros, nos médicos, nos agricultores e em tantas outras profissões necessárias para a nossa sociedade, que não são respeitadas nem dignificadas. Parece-me que o problema nem sequer começa no dinheiro, mas na indiferença generalizada da classe política e da população por quem luta não só por si, mas pelo bem comum, todos os dias.


Ventura é esta voz. A voz de compaixão. A voz que respeita e dignifica. A voz que percebe. A voz que grita a raiva de tantos portugueses. A voz que não quer ser politicamente correta. A voz que fala dos ciganos, dos pedófilos, da corrupção, da prisão perpétua, da imigração, da União Europeia, dos subsídio-dependentes e de tantos outros tópicos que sempre foram tabus na vida política.


Assim sendo, Ventura é quem dá corpo ao sofrimento e à angústia de todos estes portugueses que não vivem no Portugal que sempre sonharam.


Não se enganem! Não é com o Chega, nem com o seu programa, que o sonho de um novo Portugal se vai concretizar. Seguem exemplos de medidas que este partido propõe no seu programa de 2022:


Relativamente à economia: “O CHEGA diminuirá o peso do Estado na economia (hoje cerca de 50%) reduzindo os impostos e reduzindo mais do que proporcionalmente a despesa pública.”. Surgem-me certas perguntas: Que impostos? Quanto planeia reduzir?


Relativamente à agricultura: “O CHEGA reforçará medidas de apoio à agricultura familiar, fundamental na reocupação do território e preservação de identidades e tradições do mundo rural.”. Surge-me uma pergunta: Que medidas?


Relativamente à imigração: “O CHEGA recusa fazer da substituição demográfica dos portugueses por não-portugueses a resposta à queda da natalidade. A solução legítima passa por políticas que impeçam o fluxo migratório inverso, a saída para o estrangeiro de milhares e milhares de compatriotas nossos todos os anos.” Surge-me uma pergunta: Que políticas?


O Chega é uma força política vaga. O Chega não tem propostas concretas para o país. O Chega não tem pessoas suficientes com experiência e de confiança para governar. Parece-me que, além da voz que apresentam, o Chega é nada, é uma farsa.


O sentimento de revolta só se resolverá com um governo sério, com propostas realistas e práticas, que melhorem a vida dos portugueses. Este não é o campo de Ventura, ou do seu partido, como podemos ver.


Também não me parece que seja o campo do partido socialista, nem das forças políticas de extrema-esquerda, que põem, muitas vezes, a ideologia à frente das necessidades dos portugueses.


Tendo tudo isto em conta, não poderia deixar de partilhar a minha sincera preocupação com as eleições legislativas que se avizinham. Tudo indica que poderá surgir uma coligação PSD-CDS, que há de fazer acordos com a IL e que apenas governará se o Chega aprovar ou, pelo menos, se se abstiver do programa de governo.


Assim sendo, votar neste partido pode dar continuidade à instabilidade democrática que vivemos. Agravando ainda mais o cenário político, Ventura diz que só aprova o programa de governo se incluir as suas reformas, que farão um “Governo de Direita”. O problema é que ninguém percebe que reformas são essas, nem que governo é esse. Tudo no seu discurso é “manhoso” e perigoso.


Está na hora do PSD e do CDS-PP apresentarem respostas concretas e modernas que faltaram e que deram origem às frustrações e às novas tendências partidárias. São dois partidos de governo, com bons quadros, experientes e competentes. Acredito que uma coligação pré-eleitoral, com um programa realista de mudança, pode dar origem a uma era de prosperidade a Portugal.


Portugal não precisa do Chega. Portugal não precisa desta voz. Portugal precisa de uma liderança séria, com ideias modernas, praticáveis e benéficas. Portugal precisa que o PSD e que o CDS-PP se ergam. Portugal precisa de uma nova AD!


VIVA PORTUGAL!

 
 
 

2 Comments


Guest
Mar 05, 2024

Alguns erros ortográficos.

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Guest
Dec 08, 2023

Um pouco tendencioso

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