Dois poemas de José Maria Jardim
- José Maria Jardim
- May 14, 2024
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José Maria Jardim é um saudosista, um romântico e um apaixonado. Nasceu no século errado e não se conseguiu adaptar às paixões de hoje em dia. Tem um forte instinto que está destinado à solidão e à desgraça, depois de tantas desilusões que foi tendo ao longo da sua vida.
Se, quando eu morrer, olharem para o meu corpo,
Naturalmente, verão a minha carne, mas não a minha alma.
Fico descansado, pois a maravilha de tudo isso é que nada perdem.
Na minha alma só se vê tristeza.
Na minha alma não há vontade de viver.
Na minha alma vê-se uma loucura incessante pela sua própria degradação.
Que se dane a Igreja dos iludidos,
Já não há pai nosso que valha para a ressuscitar…
Ainda me recordo do dia em que a minha alma era alegre.
O sorriso que não era meu alegrava-a e sustentava-a…
Aí, era verdadeiramente feliz.
Como tudo o resto na minha mísera vida,
Esse sorriso desapareceu e, com ele…
O amor, a alegria, a esperança e a vontade.
Fui destinado a estar sozinho.
Por isso,
Se quiserem ver-me depois da minha morte, não vejam.
Se quiserem pensar em mim depois da minha morte, não pensem.
Basta que saibam que fui um preguiçoso infeliz.
Ao menos, assim, deixei alguma verdade no mundo.
José Maria Jardim
Deambulo pela rua…
Não sei, nem quero saber para onde vou,
Apenas ando, e ando… e ando…
Quero que a força do ar me bata na cara.
Quero que me limpe as lágrimas reais, simplesmente reais.
E, simultaneamente, quero que a chuva se misture e as agrave.
Porque estou triste e cansado, com todo o direito a estar triste e cansado.
Tenho sofrido meses a fio.
Porque amar é outro universo.
Tão diferente, que abalou tudo o que era meu e dos meus pensamentos.
Agora, já não acredito em nada.
Agora, já só quero ser nada.
Agora, quero estar sozinho.
José Maria Jardim



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