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AVentura de Centro

  • Salvador Martins da Silva
  • Mar 8, 2024
  • 2 min read

Updated: Jan 11, 2025

Foi há cerca de um mês apresentado o programa eleitoral do Chega, para os próximos quatro anos. Desta vez maior, até para contrapor as frugais nove páginas do documento de 2022. Depois de ter crescido 165 páginas, a tentativa de centralização do partido é evidente: “Criar uma contribuição extraordinária temporária sobre o sector bancário, aplicável aos lucros excedentários apurados nos períodos de tributação para efeitos do IRC que se iniciem nos anos de 2024 e 2025 e manter a Contribuição do Sector Bancário já existente e aumentá-la em 10%.”


Um programa que se dizia liberal ou até mesmo libertário como o de 2022 defende, agora, uma taxa extraordinária para bancos e gasolineiras face aos lucros juntando-se assim à CDU e ao BE.


Ainda à semelhança do BE, propõe que o salário mínimo, em dois anos, atinja os mil euros. Um partido “liberal”, como se autointitula, a querer aumentar salários por decreto?

Nada de novo. A fórmula já nos tinha sido apresentada pela onda populista europeia. Primeiro ganha-se notoriedade com discursos polémicos, nostálgicos e fáceis, e depois avança-se para um discurso mais moderado. Aconteceu com Giorgia Meloni em Itália, Geert Wilders nos Países Baixos e está a acontecer em Portugal com André Ventura


O Chega arranca, feroz, com uma proposta de castração química para os pedófilos e violadores, um tema disruptivo, cumprindo o propósito viral e hoje ocupa 20 palavrinhas do seu programa eleitoral. Deixou de ser uma das bandeiras do partido. Perdiam-se votos.


Voltemos às questões económicas e aos exemplos europeus. Meloni, Primeira-Ministra italiana, apresentou uma proposta de taxação dos bancos, semelhante à do partido Chega. Com uma diferença, foi executada. As ações dos bancos registaram, obviamente, quedas generosas, obrigando o governo a recuar.


A questão é: André Ventura tem conhecimento disto? Sabe que é, absolutamente, irresponsável taxar a banca desta maneira? Porque é que insiste então?


Ventura o intrépido justiceiro. De Sherwood a Mem Martins, ninguém, nada e nenhuma noção o parará.


Citando o manifesto político do partido Chega: “nasceu para reduzir o Estado às suas funções mínimas essenciais, com uma redução drástica da sua asfixiante presença na vida da República”. Em que é que ficamos? Tomemos apenas como exemplo o seguinte: Os 3.2 mil milhões gastos na reestruturação da TAP, tal como o PS, BE e CDU, Ventura não se opôs.


Esta despesa daria para pagar 16 vezes os apoios às forças de segurança que Ventura diz defender. A labiríntica e incoerente retórica de André Ventura vem à superfície. Nas 176 páginas (acrescentadas), o sector privado aparece, reiteradamente colado ao setor público, em rota de colisão com o suposto princípio orientador e fundador do partido.


Apresenta-nos reformas fantasiosas não conseguindo demonstrar-nos como pagar ou mesmo como pô-las em prática. O partido que queria diminuir a intervenção do Estado na vida das pessoas, parece, agora, querer asfixiá-las em restrições, burocracias e, inevitavelmente, impostos.


É uma tentativa de catch all desastrosa. Um programa que quer agradar a todos e de qualquer maneira. Palavras falaciosas, promessas irresponsáveis e discursos de esperança (vã). Cheio de dúvidas com uma única certeza, a de uma banca rota. Faz-nos lembrar alguém - é pena que o Sócrates português tenha sido tão medíocre, porque o original saberia como lutar contra a demagogia deste sofista.


 
 
 

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