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Ao final da tarde quando já estiver cansado

  • Luciano de Lafões
  • Jan 14, 2024
  • 1 min read

Updated: Jan 31, 2024

Mais uma vez acordei

E ainda estava de noite

Já via, no entanto, a minha sombra

Sentada, apertando suas botas, e pegando na foice.

 

Vivo numa noite cerrada

Habitada num pleno dia

Vendo a plana luminosidade

Da minha alma escura e sombria.

 

Logo me apeguei às páginas,

Tentando despertar minha alma

Mas a noite permanece, dura e tentadora,

Deitando meu espírito num lago de calma.

 

A foice trata-me mal

Tanto aos braços como à mente

Pois neste ingénuo meu Portugal

A noite é a única coisa quente.

 

Ao final da tarde, quando nascer o dia

E mais não vir calçar de botas numa sombra,

Aí é que os campos me deixam ceifar

Quando o sol que torra a minha foice se encerra na penumbra

 

E ao final do dia, quando já estiver cansado

Quando o amanhã de ontem for o hoje de amanhã

O sol voltar-me-á a pesar, desinteressante e aliviado

E eu deitar-me-ei, dorido da foice, na charca sombria da manhã.


 
 
 

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